quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Homens pedem, no carnaval de Recife, o fim da violência contra a mulher.

Brasília - O Instituto Papai e a Rede de Homens pela Equidade de Gênero vão levar para o carnaval de Recife o Bloco da Campanha do Laço Branco. O grupo sairá às ruas hoje (11), junto com o bloco carnavalesco Nem com uma Flor. A ideia é aproveitar o período de festa para conscientizar a população em relação ao problema da violência contra a mulher.

O grupo procura alertar, também, para o risco de aumento de agressões contra mulheres nesta época do ano, por conta de fatores como uso excessivo de bebida alcoólica.

Serão distribuídas fitas da campanha e leques com a inscrição de trechos da Lei Maria da Penha, que tornou mais severas as penas para os autores de violência doméstica, além de folders informativos.

Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, o coordenador da campanha, Ricardo Castro, disse que protestar nas ruas, em clima de carnaval, é uma maneira de não esquecer que o quadro de violência ainda faz parte da vida de muitas mulheres.

“Nós, como homens, não podemos ser omissos em relação a qualquer tipo de agressão contra a mulher. O silêncio do homem pode gerar um ato de cumplicidade à violência contra a mulher.”

Segundo o coordenador, além de Recife, a mobilização durante o carnaval é feita em Olinda (PE) há oito anos e visa a sensibilizar, envolver e mobilizar os homens no engajamento pelo fim da violência contra a mulher.

A campanha Laço Branco existe há 20 anos, no âmbito mundial, com foco no público masculino e em parceria com institutos e organizações não governamentais feministas. A campanha foi criada em repúdio a um ato machista de Marc Lelipe, um rapaz de 25 anos que invadiu uma sala de aula na cidade de Montreal, no Canadá. Ele exigiu que os 48 homens que estavam na sala deixassem o local, permanecendo apenas 14 mulheres. Acusadas pelo rapaz de feministas, elas foram assassinadas à queima roupa.

No Brasil, as primeiras iniciativas da campanha Laço Branco foram desenhadas em 1999 e colocadas em prática em 2001, a partir da distribuição de material informativo, em parceria com organizações feministas.

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